.'. "O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante do idiota que quer bancar o inteligente" .'.
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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Neymar marca, mas Timão busca empate e vai à final da Libertadores

Criticado na semana passada, Neymar respondeu na noite da quarta-feira (20) e fez o Corinthians ser vazado pela primeira vez no Pacaembu nesta edição da Copa Libertadores. Mas não foi suficiente: com gol de Danilo na etapa final, o time da casa empatou por 1 a 1 e se valeu da vantagem obtida com o 1 a 0 no jogo de ida para eliminar o Santos e obter classificação inédita à final da Copa Libertadores.
O último obstáculo do Corinthians na tentativa de conseguir seu primeiro título sul-americano será o vencedor do duelo entre Universidad de Chile e Boca Juniors-ARG, a ser definido nesta quinta-feira – o time argentino é favorito por ter vencido o primeiro jogo por 2 a 0, em casa.
Mesmo sem ainda nem conhecer o oponente da decisão, cujo primeiro confronto será na quarta-feira que vem, o clube do Parque São Jorge já atinge sua melhor campanha em dez participações na história da Libertadores. O máximo que havia alcançado era a semifinal, em 2000, ano em que o time alvinegro foi eliminado pelo Palmeiras, nos pênaltis.
Nesta quarta-feira, assim como doze anos atrás, era o adversário que precisava da vitória. Só que o Santos atrasou a subida do vestiário em quatro minutos do horário marcado para a partida começar. O árbitro então não permitiu que os jogadores se aquecessem mais em campo, ordenando-os a se perfilarem para a execução do Hino Nacional imediatamente depois de posarem para a fotografia.
Quando a bola enfim rolou, quem atrasou foi o Corinthians. Com a vantagem de poder empatar, o time da casa recuou a marcação, ao contrário do que sempre fez, e chamou o adversário para seu campo. Só que o Santos tinha dificuldade para se infiltrar. Tentava confundir a marcação com Ganso buscando a bola da defesa, atrás de Arouca, e Neymar rodando entre os volantes e os zagueiros corintianos.
Em uma das jogadas ofensivas, Neymar foi desarmado por Willian no meio-campo e propiciou perigosíssimo contragolpe. O Corinthians saiu com tudo de trás, e a bola passou pelos pés de Jorge Henrique, Danilo, Alex e Paulinho até ser devolvida para Willian, que chutou rasteiro da entrada da área, mas sem força, facilitando a defesa de Rafael.
Outra rara chance do Corinthians, depois de seguidas subidas do Santos, foi através de bola parada na meia direita, aos 20 minutos. A barreira esperava cobrança de Chicão, mas Alex bateu rapidamente na tentativa de surpreender Rafael. Mas o goleiro estava esperto e pulou no canto esquerdo para espalmar a escanteio.
Quatro minutos mais tarde, Fábio Santos ficou com sobra pouco à frente da área e rifou a bola. Um lance atípico que deixou clara a estratégia defensiva da equipe mandante – ou apenas de seus jogadores, já que o técnico Tite se esgoelava à beira do gramado pedindo a eles que subissem a marcação.
Mantendo-se da linha do meio-campo para frente, o Santos quase abriu o placar em chute de Juan defendido por Cássio, após bola atrasada por Ganso. Aos 35 minutos, sim, o time visitante inaugurou o marcador. Neymar deixou Fábio Santos no chão e abriu na direita para Alan Kardec cruzar rasteiro. Borges desviou no meio, e Neymar ainda deixou a bola tocar a trave esquerda antes de empurrar à rede.
A calma então virou pressa, e o Corinthians se lançou à frente. Mas não conseguiu balançar a rede no primeiro tempo graças a Rafael. O goleiro santista espalmou cabeceio de Jorge Henrique aos 45 minutos e segurou a diferença mínima parcial até a descida para o intervalo.
No intervalo, Tite sacou Willian para a entrada de Liedson e certamente sacudiu seus atletas. O Corinthians voltou muito diferente para o segundo tempo e empatou o jogo aos três minutos do segundo tempo. Alex cobrou falta da ponta esquerda, a bola atravessou a área sem ser cortada pela defesa e caiu para Danilo. Ele dominou e chutou firme, estufando a rede de Rafael, para delírio do banco corintiano, que a essa altura já contava com o diretor Roberto de Andrade.
Inflamado e novamente com o placar favorável, o time da casa continuou marcando na frente. Aos oito, Paulinho chutou bola pela lateral, e Adriano deu início a uma breve confusão. O volante santista empurrou um gandula que pretendia atrasar a reposição de bola, e os corintianos só não foram para cima do adversário porque Tite não os deixou.
A marcação adiantada persistiu por algum tempo e começou a cair por terra na metade do segundo tempo, pouco depois de Paulinho acertar a trave direita e ver o assistente apontar impedimento. Neymar procurou bola em todos os espaços do campo, porém a retaguarda corintiana fechou-se bem e mostrou o porquê de ter sido vazada só três vezes no torneio, um dos principais motivos para que a classificação inédita à Libertadores fosse selada no apito final de Leandro Vuaden.
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Data da Publicação: 20 de junho de 2012
Fonte: Tossiro Neto/Gazeta Esportiva

Timão empata com Santos em noite histórica e vai à final da Libertadores

São 101 anos de idade. Um senhor vigoroso, de lembranças memoráveis, milhões de filhos, netos, bisnetos, amigos e fiéis seguidores. O "seo" Corinthians, a essa altura da vida, ainda consegue ter orgulho de dizer que fez algo pela primeira vez. E não é algo qualquer. É a tão sonhada final da Libertadores. O empate por 1 a 1 com o Santos, no Pacaembu, levou a equipe à decisão inédita. Agora faltam só dois jogos para o Timão conquistar seu título mais desejado.
A aposta de muitos que torciam contra era de que o Corinthians entraria em parafuso se sofresse um gol. Pois sofreu. E de Neymar, daquele que mais metia medo na torcida. Mas os 101 anos, enfim, pesaram a favor. Ninguém se assustou, ninguém ficou nervoso além da conta. Controlado, o Timão mudou de jogador, mudou de posutra, mudou o placar e mudou a expressão em milhares de pessoas no Pacaembu. O gol de Danilo fez a noite de 20 de junho de 2012 se tornar histórica. Talvez num dos jogos mais importantes da vida desse velho "senhor". E com a certeza de que dois mais importantes ainda estão por vir na final.
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O Santos era o atual campeão, mas não atuou como campeão. Seus 100 anos recém-completados pareciam pesar. Não teve postura de pressionar, mesmo precisando de um gol durante quase toda partida. O problema de Neymar não foi cansaço, mas sim disputar uma partida num ritmo muito abaixo dos rivais. Ritmo adotado pelos companheiros, apáticos.
Na quinta-feira (21), o Boca Juniors (ARG) defenderá, em Santiago, vantagem de 2 a 0 sobre a Universidad (CHI). Do confronto sairá o adversário do Corinthians na grande e histórica final. Entre o peso da camisa do Boca e a qualidade técnica da Universidad, os corintianos, por enquanto, só querem festejar.
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Olha o Neymar, aí!

Um início de jogo estranho. Deu a impressão de que a Conmebol havia determinado nova regra para a semifinal: só podia ser disputada em metade do campo. Os 11 jogadores do Corinthians atrás confiavam plenamente no fato de que estariam classificados se não sofressem gols. Afinal, eram só dois sofridos em 11 partidas na Taça Libertadores.
A posse de bola do Santos era semelhante à do Barcelona em seus melhores dias. Terminou o primeiro tempo com 61% contra 39%. Mas o Peixe passava longe de repetir o que os espanhóis fazem com ela nos pés. Tanto que o Timão também assustou. Primeiro em contra-ataque, graças a desarme em Neymar. A troca de passes lembrou a da Vila Belmiro, que terminou no golaço de Sheik. Desta vez, a finalização foi de seu substituto, Willian. Fraca, nas mãos de Rafael. O goleiro da seleção brasileira ainda voaria depois para espalmar falta cobrada por Alex.
Ganso gosta de espaço e percebeu que tinha em seu campo de defesa, já que os rivais estavam todos recuados. O maestro voltou, voltou, cada vez mais para armar o Peixe. Até então, ele e o amigo craque Neymar só apareciam em bolas paradas. A paciência foi virtude e os tais espaços apareceram para o rapaz de cabelo moicano. Primeiro ele rolou para trás e a bola chegou até Juan, que finalizou. O desvio na zaga facilitou a vida de Cássio. Depois, Neymar abriu na direita e entrou na área. O cruzamento de Alan Kardec e o toque de Borges na trave pareciam ser um ensaio para o craque decidir. Livre, com um toque simples e a comemoração de quem estava engasgado com seu próprio futebol abaixo da média.
Caíram 597 minutos de invencibilidade do Corinthians na Libertadores, 485 de Cássio. E para piorar, o goleiro lá do outro lado é quem parecia intransponível. Jorge Henrique cabeceou no canto, a bola quicou no chão e subiu. Deixou a defesa de Rafael ainda mais bonita.
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Só faltam dois...

Liedson no lugar de Willian. Centroavante, experiente e, apesar da má fase em 2012, ídolo da Fiel. A mudança inflamou a torcida no Pacaembu. E o incêndio total viria com dois minutos, no cruzamento de Alex que terminou nos pés de Danilo. Frio, campeão em 2005 pelo São Paulo, artilheiro do time alvinegro na temporada... Não poderia haver pé melhor do que o seu esquerdo para recolocar a vaga nas mãos corintianas.
Gol que eliminava o Santos. Mas não parecia. O time de Muricy parecia ser regido pela chuva: gelado. Neymar centralizado era facilmente engolido pelos marcadores, enquanto o Timão, com Liedson à frente, conseguia segurar os zagueiros do Peixe e abrir espaço dos lados para Danilo e Jorge Henrique. O único indício de sangue nas veias mostrado pelos visitantes foi da pior forma possível. Adriano, que sofria para marcar, jogou no chão o gandula que demorou para repor a bola. O rapaz anônimo foi expulso, o volante santista voltou ao jogo. 
Muricy Ramalho resolveu tentar voltar no tempo. Colocou Léo e Elano em campo. Em 2002, dez anos atrás, ambos fizeram gols na final do Campeonato Brasileiro contra o Corinthians e quebraram um longo jejum sem títulos do Santos. Mas era preciso mais. Era preciso mexer no espírito dos jogadores de azul, que não conseguiam sequer pressionar o rival.
O Timão passou a se defender, cada jogador tinha uma cópia do regulamento por dentro da camisa. Um convite que o Peixe se deu o luxo de recusar. As poucas bolas na área foram afastadas pelos jogadores e pelos torcedores que berravam na arquibancada. O apito de Leandro Vuaden foi música nos ouvidos de 37.978 torcedores, imensa maioria de corintianos.
Na final, Boca ou Universidad serão o Brasil. O Corinthians será só Corinthians. Como se fosse pouco...
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Data da Publicação: 20 de junho de 2012
Fonte: Alexandre Lozetti/Globo Esporte
Fotos: Marcos Ribolli/Globoesporte.com