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sábado, 16 de junho de 2012

Substâncias químicas presentes no cigarro mudam o DNA das células

A situação é grave: no Brasil, o número de fumantes chega a quase 32 milhões. Segundo levantamento do Instituto Nacional de Câncer (Inca) o tabaco é responsável por cerca de 200 mil mortes por ano. A pesquisa Vigitel Brasil 2011, do Ministério da Saúde, mostrou que a frequência de adultos fumantes varia muito de acordo com a cidade. O índice mais baixo apareceu em Maceió, 7,8%, enquanto Porto Alegre esse número chegou a 22,6%. A capital gaúcha é seguida no ranking por Curitiba, com 20,2% e São Paulo, com 19,3%.
Porto Alegre também lidera entre os dois sexos com 24,6% entre os homens e 20,9% entre as mulheres. Curitiba tem 24,4% de fumantes na população masculina e 16,5% na feminina. Já São Paulo, que fica em terceiro lugar no ranking dos homens com 22,2%, tem 16,8% de fumantes entre as mulheres.
Os fumantes têm entre 20 e 30 vezes mais chances de desenvolver câncer de pulmão. Outro problema que ganha destaque é o tabagismo passivo, inalação da fumaça do cigarro por não fumantes, que convivem com fumantes em lugares fechados. Adultos que são regularmente expostos à fumaça possuem 30% a mais risco de desenvolver um câncer de pulmão e até 24% a mais de risco de ter um infarto.
O cigarro contém cerca de 4.720 substâncias tóxicas. Além das mais conhecidas, como nicotina e monóxido de carbono, a fumaça do cigarro possui substâncias radioativas como polônio 210 e cádmio (o mesmo das baterias dos carros). De acordo com a Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq), o Brasil é o segundo produtor mundial de fumo em folha, ficando atrás somente da China. A Região Sul se destaca por concentrar a maior parte da produção de fumo do país.
Algumas das substâncias químicas presentes na fumaça do tabaco causam, iniciam ou promovem o câncer. Elas afetam o código genético das células (DNA), o que leva ao desenvolvimento do câncer no pulmão, na laringe, na bexiga e em vários órgãos do corpo. Num cigarro, há mais de 4 mil compostos químicos, particulados e gases, centenas deles são tóxicos e, pelo menos, 69 deles causam câncer, segundo dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer.
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Um problema de difícil solução
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Guilherme Jorge Costa, presidente da Comissão de Câncer da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a infraestrutura para o tratamento da doença geralmente está concentrada em grandes centros metropolitanos, há falta de equipamentos, profissionais capacitados e treinamento em todo o país.
Os problemas significam, na prática, demora no diagnóstico e no início do tratamento. Como o câncer de pulmão é uma doença silenciosa, ou seja, os sintomas começam a surgir, geralmente, já na fase mais avançada, mesmo com todos os avanços em tecnologias, as taxas de cura pouco evoluíram no mesmo período.
Segundo o especialista, o problema é a utilização de exames radiológicos preventivos para a detecção, que têm mostrado resultados insatisfatórios em diagnosticar precocemente o câncer de pulmão.
O câncer de pulmão é o tipo mais letal e frequente. As projeções de autoridades de saúde são de um aumento de 2% em sua incidência mundial. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, foram diagnosticados mais de 27 mil casos da doença em 2010, sendo 17.210 em homens e 10.110 em mulheres. Em 2009, 21.069 pessoas morreram em função da enfermidade (13.23 homens e 7.776 mulheres).
E os especialistas são unânimes em afirmar que mais de 80% dos casos estão relacionados ao fumo e poderiam ser evitados com o abandono do tabagismo. Segundo Guilherme Jorge Costa, presidente da Comissão de Câncer da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), morrem aproximadamente 5 a 6 milhões de pessoas no mundo por doenças provocadas pelo uso do tabaco.
— Caso se mantenha a taxa atual de fumantes, em 2020, haverá mais de 10 milhões de mortes por ano. Precisamos parar de fumar, urgente — afirma o pneumologista.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), houve um aumento anual de 2% na incidência mundial de câncer de pulmão. Em 2000, ocorreram cerca de 15 mil mortes devido à doença, o mais comum entre todos os tumores malignos e, no Brasil, o responsável pelo maior número de vítimas.
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Impacto do fumo na saúde global
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 15 pessoas morrem por hora no Brasil devido a doenças associadas ao tabaco.
Os efeitos adversos à saúde provocados pelo tabaco levam a 6 milhões de mortes por ano mundo. Nos EUA, estima-se que uma a cada cinco mortes é associada ao tabagismo (443 mil mortes/ano).
Estima-se que 90% de todas as mortes por câncer de pulmão nos homens e 80% nas mulheres sejam causados pelo tabaco.
Cerca de 90% de todas as mortes por Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é causada pelo tabaco.
Comparado aos não fumantes, os indivíduos fumantes tem um elevado risco de desenvolver o câncer de pulmão de 20 a 30 vezes maior.
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Data da Publicação: 16 de junho de 2012
Fonte: Zero Hora

Rio Grande do Sul é líder em mortes por câncer de pulmão no Brasil

O câncer de pulmão mata pelo menos 2.843 pessoas por ano, entre homens e mulheres, no Rio Grande do Sul. O número (registrado pelo Ministério da Saúde em 2009) é 40,4% maior do que de mortes causadas por acidente de trânsito (2.025, em 2011) e 71,5% maior do que de homicídios (1.657, também no ano passado).
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No mundo, as estatísticas são ainda mais alarmantes. Por dia, o equivalente a toda a população de Porto Alegre — cerca de 1 milhão e meio de pessoas — perdem a vida pelo mesmo motivo. O Rio Grande do Sul lidera o ranking brasileiro de casos, sendo o Estado com maior números de mortes — 23 por cada cada 100 mil habitantes.
O oncopneumologista Guilherme Costa, coordenador da Comissão de Câncer de Pulmão da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) afirma que uma das prováveis causas para os altos índices seja o clima frio da região sulista.
— Em baixas temperaturas, é comum que as pessoas procurem formas de se aquecer, e o fumo é uma delas — diz o especialista.
O presidente da Fundação Sul-Americana para o Desenvolvimento de Novos Medicamentos Contra o Câncer e vice-presidente da Sociedade Latino-Americana de Cancerologia, Gilberto Schwartsmann, concorda que a relação com o fumo é responsável pela esmagadora maioria dos casos diagnosticados, e que há um forte apelo da indústria tabagista para banir as campanhas de conscientização.
— A indústria do tabaco faz um forte lobby e subsidia uma série de ações em Brasília para neutralizar as campanhas — afirma.
Considerada rara no início do século XX, a doença se tornou um grave problema de saúde pública nos últimos 50 anos. O impacto é tanto que leva o estado brasileiro a investir, por ano, quase R$ 21 bilhões. A conclusão é da pesquisadora Márcia Pinto, da Fiocruz, que fez um estudo mapeando os custos de doença relacionadas ao tabaco. A pesquisadora explica que esse valor é financiado pela sociedade, com o pagamento de seus impostos:
— Esses custos são financiados por quem fuma e quem não fuma. Esse valor poderia ser investido, por exemplo, na ampliação do acesso das crianças a vacinas ou na compra de quimioterápicos para o SUS.
Como o estudo é pioneiro no país, não há comparativo local para saber se o valor é elevado demais. Sabe-se apenas que, em países como China e Estados Unidos, os investimentos são próximos a US$ 30 bilhões por ano.
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Impacto na saúde e na economia
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A expectativa da pesquisadora é de que o governo possa dar seguimento à pesquisa e invista na atualização dos dados. Outra proposta é incluir na próxima pesquisa os custos indiretos do tabagismo, relativos à perda da produtividade do fumante ou ex-fumante no mercado de trabalho.
— O fumante que se aposenta precocemente, ou sai do mercado, ou deixa de produzir riqueza para o país — explica Márcia.
A pesquisadora também concorda que a forte presença da indústria do tabaco no Rio Grande do Sul pode ter influência na adoção de medidas de controle anti-tabagismo. Porém, apesar das estatísticas negativas, é preciso considerar o fato de que, com as medidas de controle como a proibição de publicidade na televisão e no verso das carteiras de cigarro, bem como a restrição do fumo em locais fechado, fez cair o número de fumantes no Brasil.
Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), nos anos 80, 32% dos adultos fumavam, e em 2007, esse número caiu para 17%. A expectativa é que a cada ano baixe 0,3% o numero de fumantes.
— Isso vai fazer que tenha uma redução importante nos casos de câncer de pulmão, se as pessoas continuarem aderindo as campanhas — alerta Schwartsmann.
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Doença poderia ser rara
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Não há medida mais eficaz para evitar o câncer de pulmão do que não fumar, já que o consumo de derivados do tabaco está na origem de mais de 80% dos casos da doença. Ou seja: se não fosse o fumo, essa poderia ser uma enfermidade rara. Comparados com os não fumantes, os tabagistas têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão.
Manter alto consumo de frutas e verduras também é recomendado. Deve-se evitar, ainda, a exposição a certos agentes químicos (como o arsênico, asbesto, berílio, cromo, radônio, urânio, níquel, cádmio, cloreto de vinila, gás de mostarda e éter de clorometil), encontrados principalmente em indústrias.
Exposição à poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, deficiência e excesso de vitamina A, doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica), fatores genéticos (que predispõem à ação carcinogênica de compostos inorgânicos de asbesto e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos) e história familiar de câncer de pulmão também favorecem ao desenvolvimento desse tipo de câncer.
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Números
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Brasil
Estimativas de novos casos: 27.320, sendo 17.210 homens e 10.110, mulheres (2012).
Número de mortes: 21.069, sendo 13.293 homens e 7.776 mulheres (2009).
O sistema de saúde brasileiro gasta R$ 1 bilhão e 600 milhões de reais por ano no Brasil no tratamento da doença.
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A cada 100 novos diagnósticos de câncer de pulmão, 85 morrem nos dois anos subsequentes ao diagnóstico, e isso tem relação com três fatores importantes:
1) De todos os tipos de câncer, o de pulmão é o que mais mata em todo o mundo.
2) Anualmente, o câncer de pulmão mata o equivalente a toda população de Porto Alegre, 15 milhões de pessoas.
3) 55% dos casos ocorrem em países em desenvolvimento.
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Mundo
— O tabagismo causa 130 mil óbitos por ano.
— Mais de 300 pessoas morrem em consequência das doenças relacionadas ao tabagismo.
— Um fumante vive seis anos menos do que quem não fuma.
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Comparação com causas de morte no RS
— Homicídio 1.657 (SSP/2011)
— Acidente de trânsito no Estado 2.025 (Detran/2011)
— Câncer de pulmão 3.600 (Inca/2007)
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Estimativa de novos casos em 2012
RS
Homens: 2.780
Mulheres: 1.400
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Porto Alegre
Homens: 370
Mulheres: 260
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Data da Publicação: 16 de junho de 2012
Fonte: Daniela Santarosa e Lara Ely
Foto: Gina Sanders/Deposit Photos