A situação é grave: no Brasil, o número de fumantes chega a quase 32 milhões. Segundo levantamento do Instituto Nacional de Câncer (Inca) o tabaco é responsável por cerca de 200 mil mortes por ano. A pesquisa Vigitel Brasil 2011, do Ministério da Saúde, mostrou que a frequência de adultos fumantes varia muito de acordo com a cidade. O índice mais baixo apareceu em Maceió, 7,8%, enquanto Porto Alegre esse número chegou a 22,6%. A capital gaúcha é seguida no ranking por Curitiba, com 20,2% e São Paulo, com 19,3%.
Porto Alegre também lidera entre os dois sexos com 24,6% entre os homens e 20,9% entre as mulheres. Curitiba tem 24,4% de fumantes na população masculina e 16,5% na feminina. Já São Paulo, que fica em terceiro lugar no ranking dos homens com 22,2%, tem 16,8% de fumantes entre as mulheres.
Os fumantes têm entre 20 e 30 vezes mais chances de desenvolver câncer de pulmão. Outro problema que ganha destaque é o tabagismo passivo, inalação da fumaça do cigarro por não fumantes, que convivem com fumantes em lugares fechados. Adultos que são regularmente expostos à fumaça possuem 30% a mais risco de desenvolver um câncer de pulmão e até 24% a mais de risco de ter um infarto.
O cigarro contém cerca de 4.720 substâncias tóxicas. Além das mais conhecidas, como nicotina e monóxido de carbono, a fumaça do cigarro possui substâncias radioativas como polônio 210 e cádmio (o mesmo das baterias dos carros). De acordo com a Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq), o Brasil é o segundo produtor mundial de fumo em folha, ficando atrás somente da China. A Região Sul se destaca por concentrar a maior parte da produção de fumo do país.
Algumas das substâncias químicas presentes na fumaça do tabaco causam, iniciam ou promovem o câncer. Elas afetam o código genético das células (DNA), o que leva ao desenvolvimento do câncer no pulmão, na laringe, na bexiga e em vários órgãos do corpo. Num cigarro, há mais de 4 mil compostos químicos, particulados e gases, centenas deles são tóxicos e, pelo menos, 69 deles causam câncer, segundo dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer.
.Um problema de difícil solução
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Guilherme Jorge Costa, presidente da Comissão de Câncer da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a infraestrutura para o tratamento da doença geralmente está concentrada em grandes centros metropolitanos, há falta de equipamentos, profissionais capacitados e treinamento em todo o país.
Os problemas significam, na prática, demora no diagnóstico e no início do tratamento. Como o câncer de pulmão é uma doença silenciosa, ou seja, os sintomas começam a surgir, geralmente, já na fase mais avançada, mesmo com todos os avanços em tecnologias, as taxas de cura pouco evoluíram no mesmo período.
Segundo o especialista, o problema é a utilização de exames radiológicos preventivos para a detecção, que têm mostrado resultados insatisfatórios em diagnosticar precocemente o câncer de pulmão.
O câncer de pulmão é o tipo mais letal e frequente. As projeções de autoridades de saúde são de um aumento de 2% em sua incidência mundial. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, foram diagnosticados mais de 27 mil casos da doença em 2010, sendo 17.210 em homens e 10.110 em mulheres. Em 2009, 21.069 pessoas morreram em função da enfermidade (13.23 homens e 7.776 mulheres).
E os especialistas são unânimes em afirmar que mais de 80% dos casos estão relacionados ao fumo e poderiam ser evitados com o abandono do tabagismo. Segundo Guilherme Jorge Costa, presidente da Comissão de Câncer da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), morrem aproximadamente 5 a 6 milhões de pessoas no mundo por doenças provocadas pelo uso do tabaco.
— Caso se mantenha a taxa atual de fumantes, em 2020, haverá mais de 10 milhões de mortes por ano. Precisamos parar de fumar, urgente — afirma o pneumologista.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), houve um aumento anual de 2% na incidência mundial de câncer de pulmão. Em 2000, ocorreram cerca de 15 mil mortes devido à doença, o mais comum entre todos os tumores malignos e, no Brasil, o responsável pelo maior número de vítimas.
.Impacto do fumo na saúde global
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15 pessoas morrem por hora no Brasil devido a doenças associadas ao tabaco.
Os efeitos adversos à saúde provocados pelo tabaco levam a 6 milhões de mortes por ano mundo. Nos EUA, estima-se que uma a cada cinco mortes é associada ao tabagismo (443 mil mortes/ano).
Estima-se que 90% de todas as mortes por câncer de pulmão nos homens e 80% nas mulheres sejam causados pelo tabaco.
Cerca de 90% de todas as mortes por Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é causada pelo tabaco.
Comparado aos não fumantes, os indivíduos fumantes tem um elevado risco de desenvolver o câncer de pulmão de 20 a 30 vezes maior.
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Data da Publicação: 16 de junho de 2012
Fonte: Zero Hora
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