.'. "O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante do idiota que quer bancar o inteligente" .'.
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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ligação com Cachoeira provoca crise no governo de GO

A revelação dos grampos da Polícia Federal, com os telefonemas de Carlinhos Cachoeira, começa a abalar a estrutura do governo de Goiás.
A primeira a cair foi a chefe de gabinete do governo, Eliane Pinheiro, que deixou o cargo na noite da última terça-feira (3) depois que investigações da PF revelaram suas ligações com o bicheiro, preso em fevereiro acusado de comandar uma suposta máfia que explorava jogos de azar no Estado.
Agora foi a vez do presidente do Detran no estado, Edivaldo Cardoso, que pediu exoneração do cargo na tarde desta quarta-feira (4).
Cardoso justificou-se em carta enviada ao governador Marconi Perillo (PSDB) dizendo que setores da mídia e adversários políticos tentam vincular suas atividades como advogado com sua atuação como membro do governo. Para ele, isso causaria constrangimentos ao poder público e a seus clientes.
Edivaldo Cardoso não é investigado no inquérito que apura a máfia dos jogos ilegais, mas aparece em escutas da PF conversando com o bicheiro. Segundo o diálogo entre o presidente do Detran e o Cachoeira, Cardoso teria intermediado com o governo o repasse de verbas para uma empresa supostamente ligada ao grupo de Cachoeira.
No caso da ex-chefe de gabinete, a polícia interceptou ligações entre ela e Cachoeira e concluiu que Eliane foi a responsável por passar informações a um prefeito investigado em operação da PF.
Perillo aceitou o pedido do ex-presidente do Detran e designou o controlador-geral do Estado, José Carlos Siqueira, para assumir o cargo de maneira interina.


Leia abaixo a íntegra da carta de exoneração de Cardoso:


"Caro amigo, governador Marconi Perillo,


Diante dos últimos fatos noticiados e principalmente pela minha inabalável crença no sentido de que a verdade sempre prevalecerá, apresento a Vossa Excelência meu pedido de exoneração do cargo de Presidente do Detran-GO.
Nos últimos dias, setores da mídia e adversários políticos procuraram de todas as formas vincular minhas atividades eminentemente privadas, sobre as quais inclusive tenho a prerrogativa de manter sigilo, notadamente as que envolvem minha atividade profissional como advogado, com a minha atuação como membro da equipe do Governo de Goiás.
É claro que isso cria a possibilidade de constrangimentos ao Governo de Vossa Excelência, bem como a meus clientes constituídos, não me restando alternativa que não aguardar o desenrolar dos fatos até que a sanha de uns se satisfaça e volte a prevalecer o verdadeiro Estado democrático de Direito, pelo qual todos têm direito de se defender com a presunção da inocência.
Não posso deixar de registrar que, em qualquer operação policial ou judiciária em andamento, sequer sou citado como investigado, apesar da maneira estridente com que ilações são repercutidas em parte da mídia. E também que estarei aguardando com tranquilidade e paz de espírito a conclusão de todo esse processo, quando tenho certeza de que estarei absolutamente inocentado de qualquer suspeita ou acusação.
Quero registrar o meu mais profundo agradecimento por ter integrado o Governo de Vossa Excelência, convicto sou de que seu elevado espírito público e competência continuarão a guiar com efeitos positivos os destinos do Estado de Goiás, até a consecução do seu compromisso maior de campanha, que é realizar o melhor Governo da vida dos goianos.


Com os meus respeitos,


Edivaldo Cardoso".


Data da publicação: 4 de abril de 2012
Fonte: Filippo Cecilio - R7

sexta-feira, 30 de março de 2012

PF prende mais de 30 suspeitos de explorar jogos ilegais em Goiás

Polícia Federal prendeu mais de 30 pessoas suspeitas de participar de uma quadrilha de exploração de jogos ilegais, em Goiás. Um dos presos é o empresário do ramo de jogos Carlinhos Cachoeira, que ficou conhecido em outro escândalo de corrupção.
Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, vai passar a noite na superintendência da Polícia Federal, em Brasília. No depoimento, ele não quis falar. O Ministério Público pediu que ele seja transferido para um presídio federal. O advogado dele, que vai entrar com um pedido de habeas corpus, qualifica a prisão como um exagero.
“O que eu tenho certeza absoluta é que isso foi superdimensionado. Isso parte de uma simples contravenção, é caso de juizado de pequenas causas”, fala o advogado Ricardo Sayeg.
Carlinhos Cachoeira ficou conhecido, em 2004, depois da divulgação de um vídeo em que, Waldomiro Diniz, ex-assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, aparecia supostamente pedindo propina a Cachoeira. As imagens teriam sido gravadas em 2002 quando Waldomiro era presidente da Loterj. O caso foi o primeiro escândalo no governo Lula.
De acordo com a polícia, o empresário do ramo de jogos foi preso agora por suspeita de chefiar uma quadrilha que explorava o jogo do bicho e máquinas caça-níqueis, em Goiás, há 17 anos.
Cento e oitenta mil reais em dinheiro vivo foram apreendidos na casa dele. Na operação, a Polícia Federal cumpriu mandados em quatro estados e no Distrito Federal. Mais de 30 pessoas foram presas, entre elas vários policiais: federais, militares e civis, inclusive delegados - além de servidores públicos que participariam do esquema.
Segundo os investigadores, os policiais presos protegiam a quadrilha: eles avisavam sobre qualquer investigação envolvendo o esquema criminoso e só faziam operações em casas de jogos rivais de Cachoeira. Ainda de acordo com a investigação, em troca, os policiais recebiam propina regularmente. Os valores variavam entre R$ 200 e R$ 4 mil por mês.
“A propina era paga, vamos dizer assim, pela função de cada um na organização”, explica o coordenador da operação, Matheus Rodrigues.


Data da publicação: 01 de março de 2012
Fonte: Jornal da Globo e Globo.com